Quem chega ao Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima esperando apenas assistir às exibições de filmes tem uma agradável surpresa: a exposição “Chico Liberato – TransFigurAção, que leva as pessoas a conhecerem mais da obra do animador Chico Liberato, homenageado este ano pela Mostra Cinema Conquista.

A exposição propõe um questionamento livre sobre a formação da imagem e suas transversalidades, começando pela origem da produção do homenageado nas artes plásticas, até seu consagrado trabalho no cinema de animação. É proposta da exposição, através do traçado múltiplo do artista, evidenciar o aspecto técnico da feitura de um filme animado, seus aparatos e processos, trazendo também o acervo da produção de Chico para o público da mostra.

Quadros pintados por Chico, que é também artista plástico, e acetatos utilizados nas suas primeiras obras cinematográficas se juntam a painéis, vídeos e outras referências ao artista e sua vasta produção. “É uma exposição que tem muita referência do próprio processo de animação”, explica o responsável pela expografia, Vinícius Gil (Purki). “A gente foi à casa de Chico e Alba. Conhecer Chico, conhecer Alba, o lugar onde vivem já foi muito inspirador. Além disso, tivemos acesso a obras originais dele”, ele acrescenta, falando sobre o processo de idealização da exposição.

Foto: Rafael Flores

Responsável pela pesquisa, a cineasta e pesquisadora, Patrícia Moreira, explica que Chico está marcado na história do cinema brasileiro pelo seu pioneirismo na animação. “O primeiro filme de Chico é o quinto do Brasil. Ele é pioneiríssimo no cinema de animação. É o primeiro do Nordeste e durante muitos anos ficou sendo o único a trabalhar com animação”, aponta Moreira. “Uma obra notadamente brasileira que mostra o indígena, o negro, as culturas diversas do nosso povo. O interessante da obra de Chico é que ele não mostra o sertanejo estereotipado, o índio estereotipado. Ele entra na profundidade do ser, ele traz a alma do sertanejo”, analisou a pesquisadora.

Para Patrícia, a Mostra Cinema Conquista acerta ao escolher homenagear Chico Liberato. “Foi um grande acerto. O tempo nos escapa. Nós não ficamos para sempre. A oportunidade de homenageá-lo vivo é fantástica. A família toda ficou emocionadíssima, ele chorou, ficou emocionado”, disse ela, destacando a emoção da família Liberato pela homenagem. “A gente se identifica vendo a obra de Chico e isso o torna tão importante”, completa a pesquisadora justificando a exposição.

Foto: Rafael Flores

Chico Liberato lançou, em 1984, Boi Aruá, primeiro longa de animação das regiões Centro Oeste, Norte e Nordeste do país. Em 2012, ele estreou outro longa de animação, Ritos de Passagem. Ao longo de sua trajetória, realizou curtas de animação e outros trabalhos nas artes plásticas.

“Chico Liberato – TransFigurAção fica aberta à visitação a partir das 18 horas, todos os dias. Fora desse horário, grupos podem realizar visitas agendadas. A exposição permanecerá no Centro de Cultura até o dia 9 de novembro, sexta-feira, quando a Mostra Cinema Conquista – Ano 13 será encerrada. Toda a programação do evento é gratuita e aberta ao público.

FICHA TÉCNICA – “CHICO LIBERATO – TRANSFIGURAÇÃO
Expografia: Vinícius Gil (Purki)
Pesquisa / Textos / Vídeos: Patrícia Moreira
Consultoria: Marcos Oliveira
Coordenação de Montagem: Edilando Ferraz
Montagem: Thaty Roots
Máscaras Temáticas: Hellen Trindade
Grafitte: Marcos Porto
Produção: Luiza Audaz

A Mostra Cinema Conquista – Ano 13 tem o apoio cultural da TVE Bahia, TV Sudoeste, Educandário Padre Gilberto, Tia Sônia, Schin, Academia Conquistense de Letras, Casa da Cultura e Televoz – NET/Claro. Recebe o apoio institucional da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, através do Curso de Cinema e Audiovisual, Programa Janela Indiscreta e Sistema Uesb de Rádio e TV Educativas; do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (IRDEB); da Diretoria Audiovisual do Estado (DIMAS); e do Centro de Cultura Camillo Jesus. A Mostra Cinema Conquista é uma realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural. Tem o apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.